Datasexuals

Um serviço que armazena todos os lugares que você visitou automaticamente, ele auto-detecta locais pelo nome e reconhece quanto tempo você permaneceu neles. Esse é o PlaceMe.

Enquanto você se desloca ao longo do dia, o serviço identifica pessoas com afinidade que estão ao seu redor, você pode ver o perfi daquela pessoa, contactá-la e vice-versa. Segundo a TIME, “Highlight está na linha de frente de uma nova geração de serviços mobile”. E de uma nova geração de pessoas que são implacavelmente digitais, ao máximo que a tecnologia permite, e buscam coletar todos os dados possíveis de suas vidas, de localização à caloria.

As últimas pesquisas revelaram que a Dopamina e seu efeito do prazer não está ligado à experiência em sí, mas à expectativa e a busca. Ela causa o desejo e a motivação pela sobrevivência, nos faz curiosos por ideias e informação. Com a quantidade de dados que estamos coletando nós temos quase que uma gratificação instantânea do nosso desejo pela busca. Cada check-in é uma gozada.

O reflexo disso é a tentativa de explicar esse comportamento e o surgimento de novos termos para definir essa geração: narcissism 2.0, wasted life 2.0 ou, o que seria o equivalente ao metrosexual mas relacionado à dados, datasexual.

Você já tinha imaginado o quão cool seria ter um bracelete com brilhos em neon mostrando sua atividade física do dia? Nike+ Fuelband faz isso, foi um sucesso de vendas e, com todo o ecossistema do Nike+, é uma das poucas companhias que conseguiu transformar seu negócio e ficar lado-a-lado com as empresas de tecnologia e suas perspectivas de crescimento.

Todos nós, não apenas os datasexuals de hoje, iremos evoluir nossa cadeia de equipamentos e serviços digitais no nosso entorno, mesmo sem nos darmos conta, quanto mais transparente a tecnologia mais aparente serão os dados nas nossas vidas. A geração que está crescendo agora é uma geração de datasexuals, como um viciado em crack, eles estão numa busca insaciável pelo like.

Em alguns anos, talvez, o termo não fará nenhum sentido pois todos seremos datasexuals. Hoje, esse termo não deve fazer nenhum sentido para muitas pessoas mas, pelo menos, ele serve à reflexão.

Meu feed é um canal de tv aberta.

A mídia social passa a ter cada vez mais presença nas nossas vidas e, como muitos, estou sentindo uma grande necessidade de curar o que feeds de Facebooks, Twitters e Instagrams oferecem. Esses próprios veículos já detectaram essa necessidade e desenvolveram ferramentas que auxiliam isso, como Grupos, Listas, Boards e Círculos.

Um dos responsáveis por entender que temos diferentes redes sociais e criar o conceito de círculos é Paul Adams, um dos pesquisadores de mídia social mais interessantes e hoje responsável pela experiência das marcas no Facebook. Em 2009 ele divulgou um documento que repercutiu bastante e, recentemente, lançou o livro Grouped com seus aprendizados.

Entre todos ensinamentos, existe um que é muito claro: passamos 80% do tempo nos comunicando com as mesmas 5 a 10 pessoas. E, da mesma forma, quando postamos algo na mídia social, não queremos que 1.000 pessoas vejam nosso post, entre colegas de trabalho, de botecos, de peladas e familiares.

Com minha família estou usando o WhatsApp, com meus amigos de infância eu tenho um grupo no Facebook, com os surfistas usamos o Fantasy Surfer, com meus colegas de trabalho é mais o Instagram e por aí vai…

Acho pretensão das marcas incentivarem os usuários a postarem seu conteúdo de maneira universal. Ao invés disso, eles deveriam pensar como podem ser relevantes para pequenos círculos para que, aí sim, sejam relevantes na vida das pessoas.

A mídia social passa a ter cada vez mais presença nas nossas vidas e, como muitos, o meu feed do Facebook acabou se tornando uma tv aberta com apenas uma opção de canal, onde marcas interrompem e estão me obrigando a consumir conteúdo que não tenho interesse.

Baseado em uma conversa com geO Freitas.
Livro é indicação do Fabiano Coura.

Why I left Google.

James Whittaker é um ex-Engineering Director no Google e escreveu um post sobre os motivos de sua saída da empresa. Este repercutiu consideravelmente e, pessoalmente, foi um tanto esclarecedor, mesmo sendo apenas um lado da moeda.

Nossa indústria muda rapidamente e é muito fácil perder o olhar para o básico: pessoas. Mas vou deixar aqui os principais pontos do texto e que a reflexão fique com cada um de vocês, afinal, nossa indústria está imersa nesse mundo e, como dizia alguém que não lembro, quem não reflete vive de reflexos:

The Google I was passionate about was a technology company that empowered its employees to innovate. The Google I left was an advertising company with a single corporate-mandated focus.

Under Eric Schmidt ads were always in the background. Google was run like an innovation factory, empowering employees to be entrepreneurial through founder’s awards, peer bonuses and 20% time.

There was one place where the Google innovation machine faltered and that one place mattered a lot: competing with Facebook.

Google could still put ads in front of more people than Facebook, but Facebook knows so much more about those people.

Larry Page himself assumed command to right this wrong. Social became state-owned, a corporate mandate called Google+.

Search had to be social. Android had to be social. You Tube, once joyous in their independence, had to be … well, you get the point. Even worse was that innovation had to be social. Ideas that failed to put Google+ at the center of the universe were a distraction.

I couldn’t even get my own teenage daughter to look at Google+ twice, “social isn’t a product,” she told me after I gave her a demo, “social is people and the people are on Facebook.” Google was the rich kid who, after having discovered he wasn’t invited to the party, built his own party in retaliation.

The old Google was a great place to work. The new one?

-1

O post na íntegra aqui.

Sua marca é pinnable?

Ninguém gosta do que não conhece. E como muita gente estava gostando do Pinterest – e muita gente é mais de 10 milhões – resolvi tentar entendê-lo de vez. Aqui seguem pontos e conclusões que encontrei:

O Pinterest não é uma nova rede social.
Mas uma plataforma onde os usuários podem organizar e dividir conteúdos interessantes, ela claramente busca a solução de um problema como tantas outras plataformas, como mencionou seu criador: I was always collecting images on the web in folders on the desktop of my computer, but it wasn’t a very good system for remembering where things came from or who made them. We wanted to create a place where you can go to upload or collect things on the web and simply organize it the way you want. Seu mérito está na inteligência de usar ferramentas para influenciar comportamentos de colaboração, que fortalecem e criam novos laços sociais. Acredito que veremos muito dessas ferramentas presentes nas próximas plataformas digitais.

O Pinterest é forma.
As ferramentas e comportamentos sociais estão fortemente presente na forma, o fato de identificarmos claramente o usuário, a fácil socialização de conteúdo que moldam e ajudam a construir nosso status social e um feed infinito de post dos seus amigos que torna a plataforma viciante. Além disso, como mencionado na AdAge, o design elegante e o consumo simples do conteúdo através de imagens são pontos que tornam o formato do Pinterest atrativo, afinal, uma imagem vale mais que mil palavras.

O Pinterest é simples.
Aprender a mexer no Pinterest é praticamente automático pois todas suas funcionalidades são parecidas com as do Facebook, Twitter, Instagram e Google+. Google+? Sim, os boards são como os círculos onde você pode segmentar sua atividade e socializar com parte que lhe interessa dos seus laços sociais. Também, montar um board consistente é muito fácil devido ao “RePin” assim como editar os boards, você tem essa opção a cada Pin que sobe.

O Pinterest é vesátil.
Ele pode ser acessado de diversos meios, pode-se incluir um botão no navegador, em posts de blogs ou direto do celular. Essa versatilidade também é benéfica para marcas, projetos e qualquer manifestação criativa. Pode-se usá-lo para venda de produtos, como currículo ou portfolio, oferta de trabalho, pornografia, trabalhos colaborativos, divulgação de trabalhos artísticos, produtos e serviços, como Real Simple e GE, mencionado na AdWeek:

Real Simple’s site traffic from Pinterest has surpassed referrals from Twitter and Facebook combined, making it the second biggest referral source after Google. “From an SEO standpoint, it’s a boon,”

She noted that in a 30-day period between January and February, GE.com got as much referral traffic from Pinterest as from Twitter, where it has more than 55 times as many followers.

Pessoalmente, acho o Pinterest muito bacana, mesmo que dizem ser dominado pelas mulheres (mais de 80% nos EUA) acho uma plataforma universal que as marcas devem compreender e usufruir dos comportamentos que ela motiva, seja para divulgar a marca ou fazer com que as pessoas a divulguem. E aqui fica a pergunta: o conteúdo que sua marca oferece é pinnable?

Não contrate um Planejamento Digital

Eu sinto que estamos vivendo uma ansiedade no mercado em busca de um Planejamento Digital, alguém que consiga aproximar a presença da marca no digital com objetivos de negócio do cliente. A discussão é longa e o novo double-rainbow é dizer que não existe diferença, ou seja, todo planner tem que pensar no digital.

Concordo totalmente e, pessoalmente, tenho feito um grande esforço para conseguir pensar marca e discutir negócio ao mesmo tempo que traço uma jornada do consumidor detalhada no ambiente online. Entretanto, acho que estamos ficando sem fôlego pois esse caminho é longo.

Na R/GA temos trabalhado muito próximo de Interaction Designers que, independente do nome, são os responsáveis em pensar na experiência do usuário (User Experience = UX). Este seria não uma evolução mas acredito que um novo posicionamento do profissional que antes apenas pensava na Arquitetura de Informação. Um dos caras que trabalha comigo é o Fabrício Teixeira que fez uma apresentação bem esclarecedora sobre o tema (aqui).

Nela, ele defende que sempre existiu uma pressão no arquiteto de informação em entregas muito táticas, como wireframes, enquanto a entrega desse profissional deveria estar atrelada ao todo, entender o ecossistema de canais e o papel de cada canal, mesmo que a sua entrega seja específica para apenas um meio. Ou seja, o trabalho de UX é ir atrás das perguntas, não das respostas.

E existem muitas tarefas que esse profissional poderia desenvolver para ir atrás das perguntas: entrevistas, observação etnográfica, benchmark, personas, consumer journey… trabalhos com uma grande intersecção com o pensamento de planejamento, na sua ideia, o profissional de UX deveria passar menos tempo discutindo wireframes e mais tempo discutindo estratégia.

Nesse cenário, aonde entra o planejamento digital? Ele pode entrar mas não cabe (como diria Vinicius de Moraes). Se existe a necessidade de alinhar os objetivos de negócio do cliente com os canais digitais que a marca atua e o comportamento das pessoas nesses canais, talvez e Planejamento Digital não seja a solução. E, se você é um Planejamento Digital, eu sugeriria escolher entre ser um Planejamento ou um UX.

Google + Boteco

O hub de blogs O Esquema fornece um dos conteúdos que mais admiro. Além do Trabalho Sujo (blog pentacampeão) outro blog que adoro é o Conector, do Gustavo Mini. Esses dias peguei um RT do Jura Craveiro (todos planners deveriam seguí-lo) sobre um texto do Gustavo com o título Google em botecos: um estrago.

O título já defende a posição reforçada no corpo do texto “discussões que ocupariam a noite inteira de especulação criativa podem acabar em poucos minutos quando alguém acha uma resposta lógica e exata na internet”.

Acho um ponto interessante mas confesso que tenho uma preferência pelo outro lado da opinião e decidi dividir para saber o que todos acham.

Conversas de boteco são grandes exercícios mentais, amplos e/ou aprofundados, onde muitas conclusões sobre a vida são tomadas. Na minha opinião, acessar ao Google nos faz evoluir o portfolio de referências das conversas, aprender mais, discutir mais e melhor.

Já tive algumas discussões de boteco sobre esse assunto e, expondo minha opinião de maneira sóbria, talvez eu leve muito à sério ou já esteja rendido para um comportamento inevitável. Infelizmente ou felizmente, nunca encontrei resposta no Google para isso.

1 única tendência para 2012

Está quase acabando! Já leu as tendências? Lembrou o que rolou em 2011? E, o mais importante, planejou sua marca pessoal para 2012? Os minutos são ainda mais precisos nessa época então vou ser direto. Entre todos os documents que li quero enfatizar uma principal tendência: Projects not Campaigns.

Acredito que em 2012 essa prática será muito mais reconhecida principalmente pelos clientes internacionais que, a partir de maiores necessidades, estão menos incinados a aceitar a tradicional campanha como estratégia de comunicação.

Pensar em projeto significa ter diferentes ferramentas e linhas de raciocínio. Quando pensamos em projetos, partir do consumidor e atender alguma necesssidade realmente importante é vital, impacto não é KPI.

A Most Contagious trouxe o que chamou de Marketing as Service. Consumidores esperam algo relevante que supra uma verdadeira necessidade, talvez uma nova necessidade proveniente do digital.

Quando pensamos em projetos, precisamos entender como as pessoas mantém um relacionamento frequente com a marca, como coletamos dados e os devolvemos de forma relevante, como estimulamos a interação e conquistamos seu tempo de maneria prática.

TrendWatching apresentou a tendência Idle Sourcing, que trata da colaboração das pessoas para solução de problemas, onde as marcas devem dar oportunidade para a contribuição e para que as pessoas se sintam parte de algo maior.

JWT trouxe a Generation Go uma geração empreendedora que quer produzir e, obrigatoriamente, sem obstáculos – o que o The Guardian chamou Free phone calls and Messages onde apresenta dados como 1bi de mensagens por dia no WhatsApp e mais de 30M de downloads do Viber, ferramentas gratuitas de comunicação.

Projeto pressupõe presença em mídias sociais de forma contextualizada, com uma conversa honesta e humana, uma conversa de quem também erra.

TrendWatching falou sobre Flawsome que valoriza as falhas das marcas. As pessoas não esperam que as marcas nunca errem, na verdade, assumir erros mostra honestidade, humildade, flexibilidade, maturidade e quem sabe humor, quando as marcas assumem erros, as pessoas tendem a conscientizar-se e apoiá-las.

Por fim, projetos são manifestações muito mais verdadeiras e com uma relação mais próxima com a marca. Ela realmente mostra para que veio, intensificando a experiência e realmente justifica o valor de uma marca.

Most Contagious trouxe Identity Oline enfatizando que não existe mais a separação on e off, as pessoas têm uma única noção de identidade própria, elas têm uma única experiência de marca.


Que 2012 seja um excelente ano no seu projeto de vida!

Boas Festas!

: )